quarta-feira, 28 de junho de 2017

Colhe quem semeia (2) - Pastor João António Marques


«Que seria de nós se a agricultura começasse a declinar, se as terras fossem abandonadas e deixassem de produzir, entregues ás ervas daninhas? De que nos valeriam as lindas habitações e os palácios? De que valeriam os automóveis  e os aviões? De que valeriam todos os produtos que saem das fábricas? De que valeria o ouro? De que valeriam as festas? Tudo seria inútil, sem os produtos indispensáveis à alimentação. Basta que haja anos agrícolas maus e  os géneros escasseiem para logo se verificarem graves  perturbações em todos os sectores da vida. Impõe-se,  portanto que os homens se dediquem à agricultura, para que haja alimentos. Não todos,  naturalmente - não seria necessário nem conveniente. Mas alguns têm de  dedicar-se ás tarefas agrícolas, para que  as terras produzam e todos tenham pão para comer.
Figuradamente falando, também há necessidade de colher:simpatia,  carinho, amor,  compreensão, misericórdia, perdão, enfim, colher tudo o que é bom e agradável na vida. É colhendo que viveremos. Aquele que nunca ceifa, que nunca recolhe nos  celeiros  do seu coração estes bens preciosos, esse não pode viver, estiola e, a pouco e pouco, morre espiritualmente, ainda que o seu corpo continue a viver..
Na vida cristã, mais do que em qualquer outro aspecto, temos absoluta necessidade  de colher, constantemente, os benefícios do Senhor. Mas para  isso é preciso,  como em tudo, semear. Como colheríamos sem ter semeado? Temos realmente de semear, se quisermos gozar as alegrias espirituais, ter paz na consciência, conhecer um coração tranquilo, em suma,  possuir aquela vida abundante de que falava Jesus Cristo. (João 10:10)»

(Pastor João António Marques - no livro - Olhai para os Lirios do Campo)

terça-feira, 27 de junho de 2017

Há crianças que nos dão grandes lições!


Em relação ao triste acontecimento, que  nos últimos dias, encheu de profunda tristeza os nossos corações,  ouvi na comunicação social (T.V.), duas notícias quase iguais, que deveras me comoveram, e mostraram, como as crianças nos  podem dar grandes lições de generosidade.

 Logo nos primeiros dias do grave  incêndio,  uma mãe relatou o seguinte:

O seu filho, um rapazinho de 12 anos, chegou junto dela com um saco de roupa que retirou da sua gaveta, e disse para a  mãe: "Olha mãe, eu só preciso de dois pares de calças, podes levar esta roupa para alguém, vitima do incêndio, que  precise dela."

E a mãe foi entregar a oferta do menino.

Ontem à tarde, outra mãe,  contou que  o filho de 11 anos,  sabendo que ela iria entregar algumas ajudas aos sinistrados,  juntou várias peças do seu vestuário e  escreveu uma carta, dizendo o seguinte: "Espero que  tenhas 11 anos como eu, e que estas roupas  te fiquem bem."

Lindo, não?

Como é bom, que as nossas crianças cresçam com este sentimento de partilha...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

ITINERÁRIO - Um poema de Sebastião da Gama

Um caminho junto à Ribeira das Jardas - Mira-Sintra.

ITINERÁRIO

Meu caminho é por mim fora,
té chegar ao fim de mim
e encontrar-me com Deus...

Mas lá no fim
eu vou sentir-me tão outro,
tão igual
ao Senhor Deus que ali mora,
que hei-de ficar convencido
de que afinal
só Tu, Senhor!, lá estás
e que eu  fiquei para trás,
de cansado ou de perdido
no meu caminho comprido.

É só por mim é que vou
e as bermas do meu caminho
são as passadas que dou.

  (Sebastião da Gama - no livro - Serra - Mãe)

domingo, 25 de junho de 2017

Porque hoje é Domingo (445)

            Púlpito da Casa de Oração de Morelena - Sintra.
«Ensina-me Senhor  o caminho dos  teus estatutos, e guardá-lo -ei até ao fim.
Dá-me entendimento e guardarei a tua lei, e observá-la- ei de todo o coração.
Faz-me andar na vereda  dos teus  mandamentos, porque nela tenho prazer.
Inclina o meu coração aos teus testemunhos, e não à cobiça.
Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.
Confirma a tua palavra ao teu servo, que é dedicado ao teu temor.
Desvia de mim o opróbrio que temo, pois os teus juízos são bons.
Eis que tenho desejado os teus preceitos; vivifica.me na tua justiça.»
         (Livro dos Salmos cap. 119: 33 a 40)

sábado, 24 de junho de 2017

É muito duro estar a cavar a cova para pessoas que eu conhecia - diz Maria Joaquina

Maria Joaquina   abrindo as covas para  os que morreram queimados.
Desculpem, amigos,  mas creio que ainda é tempo de "falar daquilo de que o coração está cheio".
Não podemos esconder que estamos profundamente tristes, e solidários com os que sofrem.
Partilho convosco o que li ontem no Observador

«Cinco homens e  mulheres preparam o cemitério onde serão sepultadas perto de 40 pessoas. Porque é preciso ajudar o único coveiro da terra, fechar o ciclo e enterrar os mortos.

O cemitério de Vila Facaia, pequena aldeia a oeste da vila de Pedrógão Grande, é o único pedaço de branco numa área de muitos quilómetros quadrados. À volta, tudo ficou negro depois da passagem do incêndio, que devastou particularmente aquela freguesia: morreram perto de 40 pessoas naturais dali. Durante todo o dia de terça-feira, cinco funcionários da Junta de Freguesia, comandados pelo coveiro José Francisco, conhecido como Chico, iam cavando inúmeras sepulturas, para as dezenas de funerais que se vão suceder nos próximos dias. “Nunca tive de abrir tantas covas de uma vez”, desabafa José Francisco, 57 anos, que contou com a ajuda do coveiro da freguesia vizinha da Graça para a empreitada.

 À entrada do cemitério, local isolado no meio da floresta, a 500 metros da pequena aldeia, uma carrinha da Proteção Civil denuncia o aparato que ali se vive. Ao fim da tarde, José Francisco oferece bebidas frescas a quem esteve a trabalhar durante o dia todo. Às 18h30 realizam-se os dois primeiros funerais, mas neste primeiro dia foram abertas mais sepulturas do que apenas essas duas. “Só na nossa freguesia morreram à volta de 40 pessoas, mas não quer dizer que venham todas para aqui, porque há uns que vão para fora. Estamos a abrir covas porque, quando os corpos forem libertados, vai ser tudo muito rápido. Estamos a abrir covas para ficar à espera”, explica José Francisco, de boné na cabeça e copo na mão, sentado num murete à sombra da única árvore que ali permite evitar o calor.

 Num dia normal, entrar no cemitério significa entrar num local de silêncio rodeado de floresta. Mas, neste dia, passar por aquele portão e atravessar o estreito corredor empedrado leva-nos ao único sítio movimentado da aldeia. Os funcionários da junta de freguesia vão trabalhando um pouco por toda a área do cemitério — muitas das campas têm de ser levantadas, porque grande parte das vítimas vão ser enterradas junto de familiares.

 Do lado direito do corredor, Maria Joaquina, 49 anos, trabalha apressada sob um sol escaldante — a cova que está a abrir tem de ficar pronta a tempo do funeral desta tarde, agendado para as 18h30. Baixinha, de boné na cabeça e vestindo uma t-shirt transpirada e suja de terra, com o logótipo da junta, vai falando dos que morreram como se ainda cá estivessem — talvez para se lembrar deles, ou talvez para não se deixar ir abaixo. “Além vai ser marido e mulher. E a nora e o filho também, mas esses têm de ficar ao lado, porque não há espaço para todos ali”, conta, com a pá na mão. “Ó João Paulo, tenho que tirar esta terra daqui agora, não é?”, pergunta ao coveiro vizinho, que vai ajudando a orientar os funcionários da Junta de Freguesia, muitos deles pela primeira vez a fazer um trabalho daqueles.

 Maria conhecia todos os que morreram, mas nem isso lhe tira o afinco com que vai preparando o local onde vão ser sepultados os seus amigos. Não chora. Não é resignação ou derrotismo. É vontade de fechar um ciclo e de contribuir para um funeral digno para os que estimava. “O que é que a gente há de fazer? Não podemos deixar de fazer isto, temos de fazer alguma coisa”, diz, enquanto vai contando o trabalho feito. “Já temos uma, duas, três ali, quatro, cinco. Isto agora é abrir covas.”»

 (Observador  - 23/06/2017)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

"Não disse à minha mãe que estou sempre quase a chorar"


O jornalista José Miguel Gaspar
  UM TESTEMUNHO COMOVENTE

Li, no Observador, depois confirmei no Jornal de Notícias, e confesso que o testemunho deste homem - Jornalista,  me tocou de tal maneira, que não resisti a partilhá-lo aqui neste espaço com os amigos.

Ora leiam

«Quando domingo de manhã muito cedo vim do Porto para Pedrógão Grande, não avisei a minha mãe, nem o meu pai, não lhes disse que vim a voar. Fiquei, claro, com remorsos, mas só ontem lhe liguei, a meio da manhã, assim que acordei. Quando ela atendeu, e atendeu logo, quase sem deixar tocar, em vez de me chamar como me chama sempre, num querido diminutivo, ela só disse, e imediatamente, numa voz que vi logo que já lhe vinha a fugir, "ó meu filho, ó...", e eu engasguei--me logo, não consegui dizer nada, estava despregado a chorar. Mas chorei como se me mordesse, chorei para dentro, sem a deixar ver, esganado, até ouvi os meus dentes apertados a ranger.

Mas ela já sabia, conhece-me há 48 anos, sabia que eu tinha que vir, e já me tinha lido, a mim e à Helena, os nossos textos vinham ontem no JN a abrir - "sim, mãe, ela está bem, mãe, não, mãe, ela não veio, ela está aí, está tudo bem, mãe, a sério, a sério que está tudo bem, mãe, então"...

...O telefonema foi curtinho, isso é anormal, muitas vezes falamos meias horas, é sempre à noite, quando eu chego tarde para jantar, quando chego cedo ela espanta--se, mas ontem não, não conseguia, não lhe disse mais nada, não lhe disse, claro que não, que ando aqui sempre quase a chorar, mas não é por mim, mãe, eu estou bem, é por eles, mãe, ninguém merece morrer assim, mãe, tantas pessoas que morreram a arder.»

(José Miguel Gaspar  - Jornalista  - http://www.jn.pt/ - 20-06-2017)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Conhecer o Céu, Agora - Um pensamento de Santo Agostinho


Conhecer o Céu, Agora

«A marca suprema da Cidade de  Deus - o céu - é a paz eterna e perfeita. Onde nada pode fazer mal, nada pode ferir. Em comparação, até a vida  mais rica na terra é inadequada - que podem a comida, as roupas, o dinheiro, o sucesso e a fama oferecer que supere a paz e a alegria da Cidade Celestial?
Todavia, é possível viver desta  forma na terra onde podemos desfrutar, apenas em esperança,
 a bem-aventurança do céu; tal forma  é viver esta vida  por amor da outra.»

    (Santo Agostinho - Da "A cidade de Deus", cap.20)